Amores lares (parte 1)

Eu sempre achei delicado conversar sobre relações não tradicionais com pessoas que tiveram pouco ou nenhum acesso ao assunto. Sinto que temos uma responsabilidade enorme nesses primeiros contatos: a de não “chocar” ninguém, e acabar gerando mais preconceito.

Como já falamos em alguns outros posts, é normal as pessoas temerem e até julgarem o desconhecido. Portanto não precisamos potencializar isso.

Não sabemos onde o calo aperta em cada relação ou onde dói no psicológico de cada um para simplesmente sairmos julgando todos e passando uma idéia (errada por sinal) de que nosso jeito é o certo, que esse é o jeito de pessoas evoluídas, que todo mundo deveria sair das “gaiolas”, que deveriam experimentar de tudo, senão são pessoas atrasadas ou conservadoras. Não é assim que funciona.

Essa postura invariavelmente transformará a pessoa numa reprodutora de falsas verdades e provavelmente ainda a tornará uma inimiga do diferente. Só que agora ela se sentirá validada por você, pois você foi a pessoa “do meio” e que entende que “explicou” tudinho para ela. Definitivamente não vale a pena tentar convencer ninguém. Mais vale uma pessoa aliada nessa luta na quebra de tabus, mesmo que ela mesma se sinta confortável com as relações num modelo mais tradicional, do que ter pessoas tecendo uma gama de comentários pejorativos e “validados” por aí.

Nessa próxima série de posts vou sugerir uma forma simples de abordar o assunto em primeiros contatos. Sem vender, empurrar ou tentar convencer ninguém de nada. Apenas seguindo uma analogia. Que no final das contas servirá para pessoas em qualquer modelo refletirem seus próprios relacionamentos.

Então se você se identificou como essa pessoa que já afastou alguém e acabou gerando mais preconceito e não quer que isso se repita, acompanhe essa série aqui no blog.

E caso você seja a pessoa que tem curiosidade, mas ainda tem mais dúvidas do que qualquer outra coisa. Ou até mesmo alguém que já ouviu opiniões desagradáveis que colocavam você como errado, mas está aberto a um outro ponto de vista, não deixe de nos seguir e refletir. Nosso objetivo é justamente ajudar você.

Boa leitura!

Amores lares

Quando escrevi o texto sobre amor que publicamos aqui no blog, eu não falei qual das descrições me chamava particularmente mais atenção. Mas hoje, inevitavelmente, terei que retornar a ela, caso você não tenha lido essa matéria, não deixe de ler. Também te agregará bastante.

A visão que eu me identifiquei e acabei adotando para tudo na minha vida foi a de Spinoza. Aquele amor que potencializa o seu ser, eleva o seu estado, que impulsiona a liberação do seu potencial, aquele amor que te alegra. Engraçado que logo após eu adotar essa visão, eu encontrei uma pessoa que atendia exatamente a essas características.

E nesse construir dessa relação sob essa nova visão, pude fazer diversas associações. Dentre elas a de amor lar. Sim! Um amor que nos cause saudade, que seja repouso, descanso, que recomponha nossa energia, mas principalmente, um amor que estejamos à vontade, com a gente mesmo e com a nossa intimidade, como em um lar.

Agora vamos aprofundar essa analogia.

E se a sua relação fosse uma casa?

Como ela seria? Seria bonita por fora e/ou por dentro? Seria calma, festiva, harmoniosa, organizada? As tarefas e responsabilidades seriam equilibradas? Teriam muitas coisas guardadas, entulhadas, bagunçadas? Seria arejada, iluminada? E a temperatura, quente ou fria? Reflita. Como você sente a sua relação?

Agora vamos usar essa analogia da casa para falarmos dos diferentes modelos de relações, analisando as características a seguir.

A casa pré fabricada

Quando um casal pensa em ter sua casa própria, podemos destacar duas preocupações. Primeiro que ela atenda à algumas expectativas físicas. Segundo que ambos do casal adotem comportamentos pré ensinados nessa nova rotina. Então mesmo que essas expectativas sejam conflitantes por diversas vezes, ao adotarem uma casa tradicional, o critério decisivo será a própria tradição. Ou melhor, o entendimento de cada um do que é “normal”. E aqui, normal como sinônimo de correto.

Assim também é com o relacionamento tradicional. O casal assume um relacionamento onde certas características já são esperadas. Sejam elas “físicas”, que podemos associar à estrutura dos acordos (os direitos e deveres de cada um, como por exemplo a exclusividade sexual e afetiva/romântica) ou “comportamentais”, que podemos associar aos costumes na rotina do casal (por exemplo, falar tudo um por outro, se ver x vezes na semana, sair sozinho ou não etc.)

Esse é o relacionamento que somos ensinados na nossa cultura, portanto os desafios desse modelo são alinhar essas interpretações do que é o normal para cada um e seguir os acordos o melhor possível.

Bom! Obviamente esse não é o único modelo de relacionamento. E só por que existe uma forma de se relacionar mais comum, mais difundida, definida como “padrão”, não significa que as outras formas sejam erradas ou um bicho de sete cabeças.

Então no próximo post vamos estender essa analogia da casa à algumas dessas outras formas que podemos nos relacionar. Não deixe de conferir.

Até breve!

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