O que é o amor?

Presente em poemas, canções, filmes, propagandas e diariamente nas nossas conversas e pensamentos, o amor é um termo usado que gera compreensão universal, embora ele tenha interpretações muito particulares.

No geral ele é um conceito que reúne diversas características em um pacote, sendo que esse conjunto parte de uma visão cultural, que somado às necessidades e vivências pessoais se torna uma visão individual.

Sabendo que essas características particulares muitas vezes estão bagunçadas em nossas cabeças, queremos propor uma reanálise sobre os conceitos existentes, a fim de termos mais claros nossos próprios conceitos. E para isso partiremos de quatro visões filosóficas: Platão, Cristianismo, Spinosa e Zizek.

Platão

Em O Banquete, Platão expõe algumas visões sobre o amor, apresentando através de um diálogo filosófico os argumentos de alguns pensadores, onde se elegeria um vencedor.

Nessa obra, escrita por volta de 380 a.C, podemos ver alguns conceitos que influenciam muitas de nossas opiniões sobre o amor até hoje. Por exemplo, no argumento de Aristófanes, podemos ver a origem do conceito de alma gêmea, ou o argumento de Pausânias onde podemos ver uma diferenciação entre amor carnal e o amor etéreo. Mas queremos focar aqui no discurso de Sócrates, cujo discurso no livro é o vencedor.

Sócrates diz que o amor é primeiramente desejo, opinião da qual todos no diálogo concordam. Mas ele vai além, afirmando que se o amor deseja o bom e o belo ele então não é nem bom nem belo, pois só desejamos aquilo que nos falta. Isso não significa que ele seja o oposto, mas uma entidade intermediária. O amor seria o caminho, a busca, a carência. Daí o termo amor platônico, onde desejamos/amamos o inalcançável, pois quando alcançamos deixamos de amá-lo por já não nos faz falta.

Cristianismo

O cristianismo trouxe para o amor a idéia do sacrifício, da doação. Nessa visão, o servir ao outro é algo positivo e grandioso, mantendo assim uma atmosfera altruísta e universal. Muitas vezes interpretado como abrir mão de si mesmo em prol de outrem, o amor cristão na verdade desloca a importância para o próximo. O sentimento do outro é o que importa.

É interessante notar que o amor cristão não é uma nova interpretação do amor Eros dos antigos filósofos. Ele é uma escolha. Para entendermos esse amor, devemos primeiramente desassociá-lo do sentimento em si e racionalizá-lo. Isso porque sentimentos não residem na nossa vontade. Não escolhemos sentir amor, mas podemos encolher amar em Cristo. Amando então a pessoa que ela poderia ser, tendo compaixão pelos seus passos errantes, entendendo suas necessidades, suas diferenças.

Spinoza

Para entendermos o conceito de amor para Spinoza, precisamos antes analisar dois conceitos: a potência de agir e o afeto.

O primeiro diz respeito à energia oscilante que temos no decorrer da vida. Essa energia nos possibilita agir e sermos mais nós mesmos, de forma que quanto mais energia tivermos em um determinado momento, mais nós mesmos seremos. Já o segundo diz respeito basicamente a nossa capacidade de nos afetarmos. Sendo alegria o dilatar e tristeza o reduzir da potência de agir. Ou seja, ao passarmos de um estado A para um estado B, onde B seja mais potente que A, nos alegramos.

Mas afinal, o que isso tem a ver com amor?

Simples. Aqui Spinoza vai de encontro a Aristóteles e afirma que amamos aquilo que nos alegra. Amamos aquilo que nos torna mais nós mesmos, aquilo que nos deixa mais potentes. Seja uma pessoa, um trabalho, uma refeição, um esporte, um abraço, tudo pode ser a causa de uma alegria, portanto de amor. Mas é importante perceber que esse amor só vale se é percebido. Se nos alegramos e não sabemos quais são as causas, não passamos de uns bobos alegres.

Zizek

Para esse filósofo contemporâneo, o amor é um estado de emergência permanente. Porém ele é uma catástrofe que não deve ser evitada, mas sim entendida como algo natural.

Para Zizek queremos não assumir as apostas, não pagar o preço por isso ou aquilo. Escolhemos café sem cafeína, cerveja sem álcool, açúcar sem calorias, o sexo virtual que não tem sexo, o sexo seguro que não tem o risco do afeto e por fim buscamos o amor sem o perigo de se perder. Mas isso faz com que não olhemos para imperfeições, para falhas. Que só nos apaixonemos pelas virtudes das pessoas e que vivamos presos querendo agradar ao outros, mostrando apenas qualidades.

Zizek diz que gostamos de pensar que o lixo desaparece, mas esquecemos do lixão. Que se amamos o mundo em que vivemos, temos que amar o lixo produzido por ele igualmente.

Moral da história

Não faltam pensadores tentando definir o amor, mas o que realmente importa, e a maioria deles concordam é entender a sua necessidade em nossa vivência. Pois como seres de afeto que somos, seja o amor desejo, alegria, entrega ou imperfeição, não devemos fugir dele.

4 comentários sobre “O que é o amor?

  1. A meu ver, e melhor explicação filosófica sobre o amor é do Spinoza. Muito bom o post. Parabéns pelo blog. Estou adorando! Abraços!

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